História

O projecto, construção e inauguração do Corgo

O percurso da linha do Corgo foi garantido inicialmente por um comboio ligeiro (um americano), numa via de 900 mm de bitola e numa extensão de 26 km. Este precursor da mais recente “bitola métrica” (1000 mm) permitia comboios que implicavam menos investimento quer na instalação, quer na exploração, já que as linhas férreas eram considerávelmente mais simples, aproveitando, tipicamente, traçados de estradas já existentes. Com efeito, este americano utilizava o eixo da actual EN2 (Régua-Santa Marta de Penaguião-Vila Real), e esteve ao serviço dois anos, entre 1875 e 1876 usando veículos montados nos carris e tracção animal. Esta linha inicial foi suportada, em parte, pela Companhia Vinícola de Portugal, a operar na região do Douro, que iria mais tarde à falência, e por pressão da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses. Foi esta companhia a responsável pela introdução de um «vagão a vapor» que consistia basicamente num conjunto articulado de duas locomotivas de montanha e uma plataforma de carga.

CP E209 passando na zona do Cruzeiro

CP E209 passando na zona do Cruzeiro

A Linha do Corgo foi aberta faseadamente:

  • Régua – Vila Real: 12 de Maio de 1906
  • Vila Real – Pedras Salgadas: 15 de Julho de 1907
  • Pedras Salgadas – Vidago: 20 de Março de 1910
  • Vidago – Tâmega: 20 de Junho de 1919
  • Tâmega – Chaves: 28 de Agosto de 1921

A estação de Chaves, terminus da linha,  foi projectada para ser o terminal de 3 linhas: a do Corgo, a do Tamega e a de Gimarães. As duas últimas juntar-se-iam um pouco acima de Cabeceiras de Basto, e viriam juntar-se á Linha do Corgo na Curalha, servida pelo apeadeiro de Tâmega. Entretanto a Linha do Tamega acabaria por não passar do Arco do Baúlhe, e a Linha de Guimarães acabou por não ir além de Fafe.

Linha do Corgo, 1978

Linha do Corgo, 1978

Início do declínio e encerramento do troço Vila Pouca de Aguiar-Chaves

Estávamos nos finais dos anos 80 e a Linha do Corgo estava comercialmente dividida em 2 troços:
  1. Régua – Vila Pouca de Aguiar,
  2. Vila Pouca de Aguiar – Chaves (o troço mais extenso).

Os últimos horários relativos a toda a linha (97 km) ofereciam apenas 4 circulações diárias entre a Régua e Chaves, 2 em cada sentido, havendo mais oferta entre a Régua e Vila Pouca de Aguiar. O material circulante era composto por 2 ícones da Ferrovia Portuguesa: as famosas Xepas e o Texas. As Xepas eram pequenas automotoras da Série 9700, provenientes da ex-Jugoslávia, e eram a alcunha para o seu nome original de Đuro Daković, alcunha atribuída em alusão à tempestuosa personagem de telenovela brasileira Dona Xepa. As últimas Xepas em Portugal operaram precisamente nesta linha, até 1996, entre a Régua e Vila Real (dando origem mais tarde ás LRV 2000 que se encontravam em funcionamento até 2009).

Serie 9700 (chepas), na estação de Vila Real

Serie 9700 (chepas), na estação de Vila Real

Já o Texas era formado por uma locomotiva a diesel Alstom, da serie 9020, e carruagens de passageiros antigas, maioritáriamente do início do século, muito embora de grande valor histórico. O desconforto tornava-se assim grande entre os passageiros, e os horários pouco serviam.

Composição puxada por uma CP9000 diesel, na estação de Vila Real

Após algum investimento na via, o Estado decidiu súbitamente encerrar o troço Vila Pouca de Aguiar – Chaves em 1 de Janeiro de 1990. [ XI Governo Constitucional 1987-1991, Cavaco Silva]

Nos últimos anos de exploração, a viagem entre o Peso da Regua e Vila Real fazia-se a bordo das automotoras da Série 9500, demorando menos de uma hora. O restante percurso da linha encontra-se actualmente num processo de transformação em ciclovia, tendo já alguns troços sido abertos ao público. Com a construção da A24, parte do traçado encerrado foi ocupado pela auto-estrada, em Fortunho e já próximo de Chaves.

serie CP9500, aguardando na estação da Regua

Encerramento para remodelação – 2009

Em 25 de Março de 2009 a Linha do Corgo é súbitamente encerrada, segundo a operadora Rede Ferroviária Nacional, por questões de segurança. No entanto, a REFER promete reabrir a linha à circulação em 2011. Em Novembro de 2009 inicia um “estudo de inquérito” às populações residentes entre Vila Real e Régua; com o objectivo de reconhecer as necessidades das populações e de forma a ajustar o futuro funcionamento da linha.

Nesse ano, a então secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, anunciou que iriam ser investidos 23,4 milhões de euros em obras de reparação da linha, prevendo que estariam terminadas antes do final de 2010.

Em finais de 2009, terminaram as primeiras fases desta intervenção, que consistiram na retirada de carris e de travessas e alterações na plataforma de via. Em seguida, a Rede Ferroviária Nacional (REFER) iniciou os projectos de geotecnia, de drenagem e de via. Esta aparente paragem nos trabalhos provocou, no entanto, alguns receios entre as populações e autarcas locais e outros grupos de cidadãos defensores desta linha.  Além disso, e como previsto, esta entidade iniciou em 2010 um programa de inquéritos nos principais pontos de atracção e geração de viagens, nas escolas, e aos utentes dos transportes públicos rodoviário e ferroviário, por forma a reconhecer os padrões de mobilidade das populações abrangidas; esta informação foi, posteriormente, analisada, de forma a preparar soluções de transporte integrado rodoviário e ferroviário.

Em Abril do mesmo ano, a  Asembleia Municipal de Vila Real, presidida por Pedro Passos Coelho, aprovou uma moção, exigindo ao governo que se inicie a segunda fase nas obras da Linha. Luís Pedro Pimentel e António Cabeleira, deputados do Partido Social Democrata, entregaram um requerimento na Assembleia da República, por forma a que o governo informe sobre as datas de reinicio e conclusão de obras, e se a Linha estará requalificada e reaberta até Setembro de 2010, como tinha sido prometido anteriormente pelo Ministro das Obras Públicas.

Em Julho de 2010, a REFER decidiu suspender, entre outros investimentos ferroviários, o projecto de reabilitação da Linha do Corgo, de acordo com as directrizes do “Plano de Estabilidade e Crescimento” (PEC), que prevê restrições orçamentais e o combate ao endividamento público.

Vidago, depósito de água - troço já sem linha

Responses

  1. A RUINA FINANCEIRA DE PORTUGAL FOI NÃO RENOVAREM A REDE FERROVIÀRIA COM 150= ANOS;

  2. Bonjour , je suis pour l’ouverture d’un train touristique vapeur ou autorail sur les lignes du CORGO et du TUA , un potentiel touristque existe sur ces deux lignes , qui seraient rentables avec le tourisme existant sur cette région .A nous de présenter un projet concret et réaliste aux autorités compétentes.
    Je serai au PORTUGAL dès le 25 juin , et je reste à votre disposition , José PINTO à mes coordonnées
    Dominque PLATEL


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